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Mais que eficiência: IA e margem na segurança eletrônica Segurança

Mais que eficiência: IA e margem na segurança eletrônica

A inteligência artificial muda menos o custo de um projeto de segurança eletrônica do que a forma como esse projeto é cobrado. Quando o sistema passa a separar evento real de ruído, o integrador deixa de vender quantidade de câmeras e passa a vender ocorrência tratada.

É aí que a margem se forma, e não na linha de despesa.

Essa distinção não é retórica. Para integradores, revendas, empresas de monitoramento e operações de portaria remota, ela separa dois caminhos opostos: usar a IA para reduzir o próprio orçamento até o limite, ou usá-la para justificar um serviço que o cliente aceita renovar todo mês.

Por que o argumento da economia de tempo desgastou

Vender IA como economia de tempo transforma tecnologia em desconto. O raciocínio é direto e o cliente chega nele sozinho: se o sistema demanda menos deslocamento e menos gente na sala de monitoramento, a proposta seguinte deveria custar menos.

O resultado é conhecido no canal. O integrador investe em analítico de vídeo, treina a equipe, assume o custo de processamento e devolve o ganho inteiro ao cliente na forma de preço menor. A operação fica mais moderna e a margem fica igual, ou pior.

O problema não é a tecnologia. É que o contrato continua sendo escrito na régua antiga, aquela em que o fornecedor é pago pelo esforço que emprega e não pelo problema que resolve.

O que muda quando a IA deixa de ser corte de custo e vira base de receita

A mudança começa na unidade de cobrança. Em vez de cobrar por ponto instalado, hora técnica ou visita, a empresa passa a cobrar por evento tratado, ocorrência evitada ou disponibilidade garantida da operação.

O descompasso entre adotar e capturar valor aparece em escala. A pesquisa The State of AI, da McKinsey, aponta que 88% das organizações já usam inteligência artificial em ao menos uma função, enquanto só 39% relatam impacto no lucro antes de juros e impostos. Muito uso, pouca revisão do que se cobra.

Esse desenho já existe no setor. A portaria remota cobra pela liberação de acesso feita, não pelo interfone instalado. O monitoramento cobra pelo alarme verificado, não pela central. A IA amplia a base de serviços que cabem nesse formato, porque permite verificar mais eventos sem contratar mais operadores.

Vale marcar a diferença em relação a um assunto próximo. Já tratamos aqui dos benefícios da IA para reduzir custos em operações de segurança, que olham para a conta do cliente final. O tema deste artigo é o outro lado da mesa: a receita de quem presta o serviço.

O que sustenta a cobrança Modelo tradicional Modelo apoiado por analítico de vídeo
Unidade cobrada Ponto instalado, hora técnica, visita Evento tratado, acesso liberado, ocorrência evitada
Momento da receita Concentrada na venda do projeto Recorrente, ao longo do contrato
Efeito de um alarme falso a menos Reduz o custo do cliente e pressiona o preço Aumenta a capacidade de atendimento por operador
Prova exigida do fornecedor Equipamento entregue e funcionando Registro auditável do que foi detectado e resolvido

Onde a margem aparece na prática do projeto

A margem cresce em três frentes que se somam: menos evento improdutivo, mais evento por operador e mais serviço que o cliente reconhece como distinto. Nenhuma delas depende de baixar o preço.

A primeira frente é a triagem. Galho ao vento, sombra em movimento e animal cruzando o perímetro consomem o mesmo tempo de operador que uma invasão real.

Quando o algoritmo separa esses casos, a hora paga passa a ser gasta em ocorrência que importa, tema que detalhamos no artigo sobre redução de falsos alarmes com algoritmos inteligentes.

A segunda é o deslocamento. Cada viatura enviada a um disparo improcedente é combustível, hora de equipe e desgaste do contrato. Reduzir o improcedente não é só economia, é a diferença entre atender dez clientes e atender quinze com a mesma estrutura.

A terceira é o valor agregado. Contagem de fluxo, leitura de placas, verificação de uso de EPI e controle de permanência em área restrita são entregas que nascem da mesma câmera já instalada, com processamento local, como explicamos ao tratar de IA na borda aplicada ao CFTV.

O que sustenta esse modelo além do algoritmo

Cobrar por resultado exige provar o resultado. Isso desloca a conversa técnica do modelo de IA para três elementos menos vistosos: qualidade dos dados capturados, integração entre sistemas e rastreabilidade da decisão.

O estudo do MIT CISR sobre modelos de negócio na era da IA, baseado em 2.378 empresas, descreve o papel que mais captura valor nesse cenário como o de orquestrador: a empresa que coordena parceiros, fluxos e resultados em vez de apenas fornecer o componente.

Guardadas as proporções, é a posição que o integrador ocupa quando assume o resultado da operação de segurança, e não só a entrega do equipamento.

No lado técnico, esse papel se apoia em equipamento. O IA BOX, dispositivo de análise de vídeo da Positivo SEG, aplica analíticos com processamento local sobre o vídeo de câmeras, DVRs e NVRs já instalados.

A compatibilidade com os protocolos ONVIF e RTSP dispensa a troca do parque existente, e os recursos de Auto Learning e Deep Learning sustentam a classificação dos eventos que chegam ao operador.

Para quem opera vários contratos, isso também muda o argumento comercial. O integrador para de disputar preço de equipamento e passa a discutir indicador de operação, movimento que já apontamos ao falar sobre por que o instalador do futuro precisa dominar tecnologia e IA.

Quem fica com a margem quando a máquina executa o trabalho

A pergunta que define a rentabilidade não é técnica, é de posição na cadeia. Ela determina quem controla o ponto de decisão, quem mede o resultado entregue e quem assume o risco de errar.

Em coluna publicada no TI Inside sobre a nova disputa da IA nas empresas, Carlos Mauricio Ferreira, CEO Brasil & LATAM da Positivo S+, empresa de serviços de TI da Positivo Tecnologia, resume o ponto: a IA não premia quem automatiza o velho, premia quem muda o que passa a ser cobrado.

O capítulo de economia do AI Index 2026, da Stanford University, reforça o descompasso: o valor criado pela tecnologia vem crescendo mais rápido do que a receita capturada por quem a implanta.

No mercado de segurança eletrônica, esse intervalo é a margem que fica na mesa quando o serviço continua sendo vendido por hora e por ponto.

Se o seu contrato de manutenção ainda é cobrado por visita, a IA vai reduzir suas visitas e o seu faturamento junto. Se ele for cobrado por operação disponível, ela faz o oposto.

As soluções para grandes projetos da Positivo SEG foram desenhadas para essa segunda estrutura, e o programa de parceiros da Positivo SEG é o caminho para dimensionar a proposta com apoio técnico.

Perguntas frequentes

O que é portaria remota?

É o modelo em que a liberação de acesso de um condomínio ou empresa é feita a distância, por uma central que recebe imagem, áudio e comandos do local. No lugar do porteiro presencial, a operação combina câmeras, controle de acesso e um operador que atende vários endereços.

Como funciona a portaria remota com inteligência artificial?

O analítico de vídeo faz a triagem antes do operador. Ele identifica presença de pessoa, veículo ou placa e classifica o evento, encaminhando ao atendimento humano apenas o que exige decisão. Isso aumenta o número de endereços que uma mesma central consegue atender.

Como cobrar por evento tratado em vez de por ponto instalado?

O contrato precisa definir o que conta como evento, qual o prazo de tratamento e como o registro será auditado. Sem essa definição, não há base para faturar recorrência nem para defender o preço em renovação, porque o cliente não consegue verificar o que recebeu.

A IA substitui o operador de monitoramento?

Não. Ela muda o que chega até o operador. O algoritmo filtra e prioriza, e a decisão sobre acionar viatura, polícia ou contato com o cliente continua humana, com registro do que foi verificado.

Preciso trocar as câmeras para usar analítico de vídeo?

Nem sempre. Um dispositivo de processamento dedicado pode aplicar análise sobre o vídeo de câmeras já instaladas, desde que a resolução, o posicionamento e o enquadramento atendam à distância de detecção exigida pela análise pretendida.

 

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